São José da Barra mantém uma relação inseparável com o Lago de Furnas. A antiga Barra Velha, localizada no encontro dos rios Grande e Sapucaí, foi totalmente inundada no início da década de 1960 para a formação do reservatório da usina.

Cerca de 3 mil moradores tiveram de deixar suas casas. A população foi transferida para uma área inicialmente chamada Água Limpa, depois conhecida como Nova Barra. Em períodos de estiagem, túmulos, ruas e estruturas do antigo cemitério voltam a aparecer.

O município foi emancipado em 1995 e hoje tem população estimada entre 7 mil e 8 mil habitantes. O PIB por morador foi calculado em R$ 116.931,19, resultado influenciado pela geração de energia e pelas compensações financeiras ligadas ao uso da água.

Especialistas citados na reportagem alertam que um PIB elevado não significa distribuição uniforme de renda. Aproximadamente 70% da economia municipal estaria concentrada no setor industrial, especialmente na hidrelétrica e nos recursos pagos por Furnas.

Para reduzir essa dependência, o município aposta no turismo. Praias de água doce, esportes náuticos, passeios de lancha, gastronomia e o pôr do sol movimentam pousadas, bares, restaurantes, comércio e construção de imóveis de veraneio.

O desafio é diminuir a sazonalidade e planejar o crescimento para que a renda circule entre pequenos negócios e trabalhadores. A estratégia procura transformar a água, que marcou o deslocamento da cidade, em oportunidade de desenvolvimento mais diversificado.

São José da Barra busca, assim, equilibrar os vestígios de Barra Velha, os recursos da geração de energia e uma nova economia ligada ao turismo do Mar de Minas.