Uma casa de quase dois séculos em Carmo do Rio Claro passou a ocupar um lugar singular na produção teatral brasileira. Cercado pela paisagem do Lago de Furnas, o imóvel abriga ensaios, oficinas, encontros de artistas e parte do acervo reunido pelo diretor Gabriel Villela.

A construção original pertenceu aos avós do diretor. Inspirada na arquitetura colonial do ciclo do ouro, a residência foi parcialmente reconstruída e ampliada a partir da década de 1990 para receber grupos de teatro longe dos grandes centros urbanos.

Montagens inspiradas em William Shakespeare e João Cabral de Melo Neto começaram a ganhar forma no local. Uma das produções ensaiadas ali foi ‘Morte e Vida Severina’, em períodos de imersão nos quais atores acompanharam também etapas de figurino e cenografia.

Francisco Cuoco, Titina Medeiros, Thiago Lacerda, Marcello Antony, Silvia Buarque e Raul Gazolla estão entre os artistas que passaram pela casa. Alguns trabalhos desenvolvidos no espaço tiveram suas primeiras apresentações em Carmo do Rio Claro, em um teatro que leva o nome da avó de Villela.

A relação da propriedade com Furnas antecede o projeto artístico. Na década de 1960, a formação do reservatório submergiu terras da família. Anos depois, o lago passou a integrar a rotina dos grupos, tanto como paisagem de descanso quanto em atividades durante os intervalos dos ensaios.

O imóvel também guarda cenários, figurinos e outros materiais usados em espetáculos e exposições, inclusive fora do Brasil. Mesmo trabalhando em diferentes capitais, Gabriel Villela mantém a casa como base para novos projetos e para a continuidade desse encontro entre memória familiar, paisagem e criação cênica.